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Data Vaga e Sem Compromisso para o Alargamento da
UE Por ISABEL ARRIAGA E CUNHA, em
Gotemburgo Domingo, 17 de Junho de
2001
Cimeira de
Gotemburgo terminou ontem
Os Quinze passaram do "desejo" ao "objectivo" de que os
primeiros países de Leste se tornem membros da União a tempo de
poderem participar nas eleições europeias de Junho de 2004
A União Europeia
(UE) assumiu ontem, pela primeira vez, o ano de 2004 como data
"objectivo" para a adesão dos primeiros países de Leste, mas adoptou
uma formulação suficientemente vaga para não poder ser encarada como
um compromisso firme.
Mesmo assim, a data foi recebida com grande satisfação pelos doze
países candidatos do Leste cujos chefes de estado ou de governo
almoçaram ontem com os seus homólogos dos Quinze no encerramento da
cimeira de Gotemburgo.
"Estamos muito, muito satisfeitos", afirmou Milos Zeman, o
primeiro-ministro checo. "É um passo muito importante que mostra que
não há qualquer desaceleração das negociações", corroborou o seu
homólogo polaco, Jerzy Buzek.
O motivo de satisfação assenta numa pequena frase inscrita nas
conclusões da cimeira, segundo a qual os Quinze afirmam que as
negociações com os candidatos devem prosseguir segundo o ritmo
previsto e assumem que "o objectivo é que possam participar nas
eleições para o Parlamento Europeu (PE) de 2004 enquanto membros".
Na cimeira de Nice de Dezembro passado, os líderes tinham
expressado "a esperança de que estejam em condições de participar
nas próximas eleições do PE". A evolução, quase meramente semântica,
representa um progresso para os candidatos sempre desconfiados da
falta de entusiasmo da UE relativamente ao alargamento, sobretudo
depois do "não" da Irlanda ao Tratado de Nice.
"O texto não introduz novos elementos ao nível da data, apenas
precisamos um pouco mais o que se disse em Nice", reconheceu
Jean-Claude Juncker, o chefe do Governo do Luxemburgo. A data é, no
entanto, acompanhada da salvaguarda de que os países candidatos
serão avaliados "segundo os seus méritos próprios", o que afasta uma
eventual aceitação por razões políticas de países mal preparados.
Resistências da Alemanha e França
Este cenário tem sido cada vez mais invocado para contemplar a
Polónia, que está substancialmente mais atrasada do que os outros
candidatos, mas cuja presença no primeiro alargamento é considerada
essencial por vários países. Esta foi, aliás, a razão das
resistências da Alemanha e França à fixação do final de 2002 para a
conclusão das negociações como pretendia a presidência sueca da UE:
esta eventualidade seria o mesmo que dizer desde já que a Polónia
ficaria para trás.
Em contrapartida, o "objectivo" de 2004 oferece um balão de
oxigénio à Polónia sem comprometer a dinâmica do alargamento. Isto
porque, apesar de os líderes não o dizerem, esta formulação
significa que os candidatos poderão participar nas eleições
europeias mesmo que os seus tratados de adesão ainda não tenham sido
ratificados. Ou seja, mesmo que as negociações só terminem em Maio
de 2004, os candidatos já poderão participar nas eleições do mês
seguinte.
Nem todos os líderes partilham esta interpretação: para muitos, a
afirmação de que os candidatos terão de ser "membros" da UE para
poderem participar nas eleições, significa que os respectivos
Tratados terão de estar, nessa altura, não só assinados mas também
ratificados. O que significa que as negociações teriam de terminar
no final de 2002, de modo a permitir os cerca de dezoito meses que
são considerados necessários para completar os processo de
ratificação.
A realidade é todavia diferente: durante o anterior processo de
alargamento, a UE inscreveu num protocolo anexo aos tratados de
adesão da Áustria, Finlândia e Suécia, que "todos os novos Estados
membros podem participar nas eleições para o PE durante o período
intermédio compreendido entre a assinatura do acto de adesão e a sua
entrada em vigôr". A salvaguarda é que os deputados eleitos apenas
ocupam os seus lugares no dia em que o respectivo país for membro de
pleno direito.
Com este precedente, que não poderá ser negado aos candidatos do
Leste, a Polónia ganhou 18 precisos meses para recuperar o tempo
perdido.
Se não fosse o vandalismo dos manifestaram que saquearam o centro
de Gotemburgo, a presidência sueca da UE teria todas as razões para
estar satisfeita por ter cumprido o seu grande objectivo: a oferta
de uma data aos candidatos.
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